Mulher atropelada com filho em Ribeirão Preto tem alta do hospital após 19 dias; menino morreu
19/01/2026
(Foto: Reprodução) Mãe de criança morta em acidente tem alta do hospital em Ribeirão Preto, SP
Quase 20 dias após ser atropelada com o filho, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, teve alta nesta segunda-feira (19). Ela estava internada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) desde o dia do acidente, que aconteceu em 1º de janeiro, no distrito de Bonfim Paulista.
O menino, Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, morreu no dia 4. Os dois foram atingidos por um veículo em um trecho de acesso à Rodovia José Fregonezi (SP-328).
À EPTV, afiliada da TV Globo, ela disse que se lembra do momento em que tudo aconteceu. Ela passou por duas cirurgias e está com uma cadeira de rodas, porque ainda não consegue andar.
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"Lembro que, na hora que eu estava andando com ele [o filho], o carro estava em alta velocidade e na hora que eu olhei pra trás, não deu mais tempo".
Eliene de Santana Maia, de 33 anos, teve alta nesta segunda-feira (19) do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
Ainda muito abalados, Eliene e o marido, Adalberto da Silva Filho, se mudarão para São Paulo para que ela possa ser cuidada pela cunhada, irmã de Adalberto.
"Eu trabalho viajando e não tem ninguém pra cuidar dela aqui em Ribeirão Preto. Minha irmã está se colocando à frente de cuidar dela lá em São Paulo".
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Câmeras de segurança flagraram o acidente. As imagens mostram que o carro, dirigido pelo cantor Gustavo Perissoto de Oliveira, saiu da pista e atingiu mãe e filho, que caminhavam no acostamento, pelas costas. Ele fugiu do local, mas se apresentou à polícia no dia seguinte.
Adalberto espera por Justiça e quer que o motorista pague pelo que causou.
"Vou falar a verdade, desde 1º de janeiro, só revolta. Revolta por ter perdido meu filho, pela situação que minha esposa se encontra. Até aliviar essa dor, vai demorar muitos anos".
A Polícia Civil ainda vai definir por quais crimes Gustavo deve ser indiciado. À EPTV, a defesa dele disse que ele não ingeriu bebida alcóolica no dia do acidente e não socorreu Eliene e o filho, porque achou que tinha batido o carro na defensa metálica.
Investigação
Gustavo Perissoto de Oliveira, de 25 anos, se apresentou à polícia um dia depois do acidente, na tarde de 2 de janeiro. Em depoimento, ele negou ter bebido antes de dirigir, mas alegou ter se distraído com a central multimídia do veículo em que estava, que era alugado.
"Ele alega que estava transitando pela rodovia, local dos fatos, e ele se distraiu em determinado momento com a central multimídia do carro, ele não tinha muito conhecimento do veículo, e sentiu o impacto. Olhou pelo espelho retrovisor, não viu nada na pista, achou que havia batido no guard-rail e seguiu seu trajeto", disse Ariovaldo Torrieri, delegado do 7º Distrito Policial.
Marcelo Santos, frentista do posto de combustível vizinho ao local onde Eliene e o filho foram atropelados, afirma que clientes que estavam no estabelecimento tentaram alertar o motorista sobre o ocorrido.
Segundo ele, Gustavo foi embora do local sem demonstrar intenção de ajudar as vítimas.
"Alguns funcionários que estavam na frente, na pista, quando alguns clientes gritaram. Ele chegou até a olhar para o lado. Em momento algum esboçou a tentativa de parar, de tentar entender o que estava acontecendo".
O cantor Gustavo Perissoto de Oliveira, suspeito de atropelar menino e mãe no acostamento em Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
Ainda segundo Marcelo, Gustavo chegou a pegar uma rua na contramão ao ir embora.
"O que a gente entende? Ele não teve intenção de parar. Até mesmo um cliente que estava ali foi atrás dele, mas já não conseguiu mais encontrá-lo".
Frentista no mesmo posto, Paulo Sérgio Peres afirma que foi um dos que gritaram para tentar, sem êxito, alertar o motorista.
"Não tinha nenhum carro atrapalhando, fazendo ruído pra que ele não ouvisse. Se ele quisesse, teria parado, sim. Mas não parou, ele foi embora".
Gustavo é investigado por homicídio culposo, que é quando a pessoa não tem a intenção de matar, mas foi liberado por falta de requisitos legais para uma eventual prisão.
Carro de suspeito de atropelar mãe e filho de 6 anos em Ribeirão Preto (SP).
Divulgação/ Polícia Civil
Segundo Paulo, no momento da batida, havia mais de dez pessoas no posto que viram o que aconteceu.
"Nós estávamos em quatro funcionários e mais ou menos uns seis, sete clientes. Acho que a maioria gritou. Se me chamarem, eu vou contar exatamente o que aconteceu, o que eu presenciei."
Atropelamento em Bonfim Paulista
O atropelamento foi gravado por câmeras de segurança e ocorreu em um trecho de acesso à Rodovia José Fregonezi, em direção a Ribeirão Preto, na quinta-feira, 1º de janeiro. As imagens mostram o momento em que um carro saiu da pista e pegou mãe e filho pelas costas.
Eliene de Santana Maia, de 33 anos, foi hospitalizada com fraturas graves e ficou internada por 19 dias.
O filho, Guilherme da Silva Maia, chegou a ser internado em estado gravíssimo no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica (CTI) da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE) e teve a morte confirmada na madrugada do dia 4 de janeiro, três dias após o acidente.
Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, não resistiu aos ferimentos causados por atropelamento em Bonfim Paulista, distrito de Ribeirão Preto, SP
Arquivo pessoal
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