Mergulhadores encontram navio que naufragou após ataque alemão na 2ª Guerra Mundial no litoral de SP; VÍDEO

  • 25/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mergulhadores encontram navio Tutoya no litoral de São Paulo Um grupo de mergulhadores encontrou um navio que naufragou após ser atacado por um submarino alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Os destroços da embarcação Tutoya foram localizados entre Peruíbe e Iguape, no litoral de São Paulo (assista acima). “É uma história que está no fundo do mar. Muita gente, até hoje, não fazia nem ideia que isso existia”, enfatizou o marinheiro Clayton Aloise, que ajudou os mergulhadores na busca pela embarcação. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O grupo de amigos, que é apaixonado pelas histórias do fundo do mar, já comprovou outros dois naufrágios próximos à Ilha da Queimada Grande, também conhecida como Ilha das Cobras, na direção de Itanhaém: o Araponga e o Irmãos Gomes. Navio Tutoya foi encontrado por mergulhadores no litoral de São Paulo Reprodução/TV Tribuna De acordo com a instrutora de mergulho Tatiana Mello, há diversos naufrágios desconhecidos na região e, por isso, ela passou a pesquisar sobre o navio Tutoya após ler sobre a embarcação em um jornal. “Não se sabia exatamente onde o Tutoya tinha sido torpedeado. Existia uma suspeita de Ilhabela e existiam alguns documentos da Marinha que citavam Iguape”, relembrou, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo. A profissional entrou em contato com Clayton em busca de dados sobre o navio. A partir daí, o homem, que é conhecido dos pescadores, começou a registrar as coordenadas citadas por eles. Com base nos dados reunidos pelo marinheiro, o grupo partiu da Serra do Guaraú, em Peruíbe, para a missão de encontrar o navio. “Colocamos todas as informações que nós tínhamos no GPS e começamos a fazer a busca“, afirmou o profissional de Tecnologia da Informação (TI), Marco Aurélio Bafi. Buscas Grupo de mergulhadores ficou horas em busca do navio Tutoya, naufragado no litoral de São Paulo Reprodução/TV Tribuna Segundo o grupo de mergulhadores, a procura pelo Tutoya não foi fácil e ultrapassou duas horas sem qualquer novidade no sonar (tecnologia utilizada para detectar objetos debaixo d'água pelo som). Nas primeiras marcações, feitas por meio das coordenadas citadas por pescadores, nada foi encontrado. No entanto, a terceira e última informação que o grupo tinha apontou um relevo diferente no fundo do mar. “Jogamos uma boia para ter uma referência fora da água e aí começamos a fazer a busca. A gente conseguiu realmente se aproximar e ver uma marca, uma imagem bem diferente do fundo, grande”, afirmou Tatiana. Com a suspeita de que fosse o navio, o grupo mergulhou para confirmar se os destroços eram do Tutoya. Para isso, eles tinham informações técnicas da embarcação e usaram equipamentos para captar imagens e tirar medidas. “Eles já sabiam de algumas dimensões e algumas características, sobretudo de motorização, carga e o que aconteceu”, afirmou o instrutor de mergulho Luiz Flório Neto. Mergulhadores levaram equipamentos para medir navio naufragado Reprodução/TV Tribuna De acordo com Tatiana, quando os dados começaram a bater com as informações do Tutoya, foi preciso manter a calma. “Quando a gente saiu da água e pôde compartilhar com eles: ‘Gente, tudo bateu’. As medidas bateram, a pesquisa bateu, a gente está mergulhando no Tutoya, é emocionante”. "É indescritível o sentimento de alegria de fazer parte de uma história que aconteceu antes de eu nascer”, complementou Marco. Tutoya: do início ao naufrágio Construída na Inglaterra em 1913, a embarcação inicialmente foi batizada de Mitcham. Dez anos depois, o navio foi vendido e rebatizado de Uno. Apenas em 1929 que a embarcação ganhou o nome de Tutoya, em homenagem a uma cidade do Maranhão. Construída na Inglaterra em 1913, a embarcação inicialmente foi batizada de Mitcham. Reprodução/TV Tribuna O cargueiro seguia a rotina de viagens, mas no período da Segunda Guerra Mundial, na década de 1940, a forma de navegar no litoral brasileiro com segurança mudou. “Por causa da ação dos submarinos, os navios navegavam às escuras e próximo ao litoral para se proteger”, disse o pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho. Segundo Tatiana, a fumaça preta produzida com queima de carvão nas caldeiras ficava invisível durante a noite e as embarcações navegavam com as luzes apagadas para evitar ataques. Apesar disso, o Tutoya não conseguiu evitar um confronto com o submarino alemão 513, que circulou pela costa brasileira durante a guerra. “Numa madrugada, o Tutoya foi abordado em frente ao litoral de Peruíbe e mandou que eles acendessem as luzes para identificação. O comandante, acreditando que era um navio de patrulha, acendeu as luzes e logo depois foi atingido por um torpedo [projétil explosivo]”, explicou o pesquisador de naufrágios. Com o ataque, o navio naufragou no dia 1º de julho de 1943. Na ocasião, sete pessoas morreram. “A descoberta [do navio] é fundamental para que a gente possa resgatar esses heróis de guerra brasileiros que são tão pouco falados”, afirmou Maurício. Para Tatiana, o encontro da embarcação representa o desfecho para as famílias das vítimas, que nunca tiveram um funeral. Museu congelado Mergulhadores encontraram navio Tutoya no litoral de SP Reprodução/TV Tribuna A instrutora de mergulho explicou que o navio parece ter sido dividido pelo torpedo. “A impressão que dá é que a proa está separada do restante do navio. Tem muito ferro ali retorcido. Então, a emoção bateu porque provavelmente é onde entrou o torpedo” afirmou Tatiana. De acordo com ela, a embarcação é uma espécie de museu congelado, pois tudo segue intacto desde o naufrágio. “Quando eu falo de mergulhar no navio que foi torpedeado por um submarino na Segunda Guerra Mundial, eu estou mergulhando na história da Segunda Guerra Mundial congelada. Ninguém retirou nada ali do fundo, ninguém arrumou, ninguém limpou”, disse. Visitação Mergulhador profissional e pesquisador de naufrágios, Maurício Carvalho desenhou um esboço da embarcação no fundo do mar para que mergulhadores tenham noção do cenário que vão encontrar durante o mergulho. “Esse navio está protegido pelas leis brasileiras, nada pode ser removido dele, nada pode ser extraído, então ele já tem a sua proteção garantida. Agora, com a sua identificação, ele vira um ponto que vai ser utilizado, por exemplo, pela operadora Novos Mares para levar mergulhadores interessados em contar essas histórias”, afirmou Maurício. Maurício Carvalho desenhou um esboço do navio Tutoya no fundo do mar Reprodução/TV Tribuna No entanto, o profissional alertou que os mergulhos no Tutoya devem ser realizados apenas para fins contemplativos, ou seja, mergulhadores podem conhecer e filmar a embarcação, mas é proibido tentar remover ou pegar qualquer peça. Segundo o instrutor de mergulho Luiz Flório Neto, além do Tutoya, há apenas outra embarcação naufragada no litoral paulista que foi torpedeada e ela fica próxima de Ilhabela, mas a quase 60 metros de profundidade. Na prática, mergulhos com profundidade acima de 40 metros precisam ser técnicos, o que exige um preparo muito maior e restringe o número de pessoas. Por isso, o Tutoya ganha ainda mais importância. "A grande vantagem dele é o fato de ele estar a aproximadamente uma hora e meia de Peruíbe e, sobretudo, a 21 metros [de profundidade]. Então, ele está muito raso. Isso acaba facilitando muito que um mergulhador até com um pouco menos de experiência possa contemplá-lo”, finalizou Luiz. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/01/25/mergulhadores-encontram-navio-que-naufragou-apos-ataque-alemao-na-2a-guerra-mundial-no-litoral-de-sp-video.ghtml


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