De mutação em fazenda no interior SP a sucesso nacional: conheça a história do feijão carioca, preferência de 60% dos brasileiros
10/02/2026
(Foto: Reprodução) Feijão carioquinha
Arina Krasnikova
O Dia Mundial do Feijão, alimento presente nas refeições da maioria dos brasileiros, é comemorado nesta terça-feira (10).
A data, escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2019, tem como objetivo destacar a importância do grão, que faz parte do consumo de 60% dos brasileiros, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
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Nome do feijão carioca se deu pela semelhança com o Porco da raça Caipira Carioca
Reprodução
Mas você sabe com surgiu esse tipo de feijão, que é a preferência dos brasileiros? Abaixo, o g1 conta um pouco dessa história.
Feijão carioca temperado com salsinha e azeite, feito pela cozinheira Margot Lambert
Margot Lambert
Nessa reportagem, você vai ver:
A origem do carioquinha
Surgimento e nomenclatura após mutação
Você sabia que o carioquinha é uma cultivar?
Desempenho, preconceito inicial com a cor e popularização
Benefícios da produção
Plantação e importância do feijão para o interior
1. A origem do carioquinha
Em 1963, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes plantava a variedade do feijão chumbinho, que era da cor marrom-escura e uniforme, na fazenda Bom Retiro, em Ibirarema (SP).
Conheça a história do feijão carioca, preferência de 60% dos brasileiros
Durante o trabalho, o profissional e o tio perceberam que algumas plantas possuíam grãos diferentes. Eles eram listrados e manchados de preto em um fundo claro.
Conforme aponta o artigo "Feijão Carioca: Meio século de sucesso no campo e de revolução na mesa dos brasileiros", idealizado em 2017 por Luiz D'Artagnan de Almeida e a engenheira agrônoma Elaine Bahia Wutke, Antunes fez uma seleção natural dessas sementes, também chamada de seleção massal.
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2. Surgimento e nomenclatura após mutação
Já em agosto de 1966, amostras do novo feijão foram enviadas ao Instituto Agronômico (IAC) em Campinas (SP) e identificadas como I-38700.
De acordo com Gerson Cazentini Filho, coordenador da seção de Sementes e Mudas da Diretoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a nomenclatura surgiu pela semelhança a um animal da região.
"O nome do feijão carioca se deu pela semelhança da raça do porco caipira carioca, que foi observado um pé diferente dos demais pela estrutura e os grãos, que eram de fundo claro, rajados por faixas marrom, por um produtor em sua lavoura de feijão do cultivar chumbinho", conta.
Gerson Cazentini Filho
Divulgação
3. Você sabia que o carioquinha é uma cultivar?
O feijão carioca é uma cultivar, uma planta desenvolvida e selecionada a partir de características específicas, como cor, produtividade, sabor ou resistência a pragas.
Após o destaque nos testes, notou-se uma produtividade nesse grão, principalmente por ter tolerância a doenças foliares e pelo cozimento rápido.
"[O feijão] foi selecionado, padronizado e lançado como cultivar comercial com o nome de carioquinha", relembra o coordenador da Cati.
Luiz D'Artagnan de Almeida, conhecido como o "pai do carioquinha", foi o responsável pela reprodução e multiplicação desse grão. Ele morreu no começo deste ano, no dia 2 de janeiro, aos 84 anos.
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Pesquisador Luiz D'Artagnan de Almeida morreu no dia 2 de janeiro de 2026
Divulgação
4. Desempenho, preconceito inicial com a cor e popularização
Nos testes realizados entre 1967 e 1969, o carioca produziu 1.670 kg/ha (hectares), superando os 1.280 das variedades que existiam na época.
Em 1969, ocorreu o lançamento do novo feijão, mas, por não ser um modelo conhecido pelos consumidores da época, a coloração do feijão carioca não foi aceita inicialmente.
Com o objetivo de popularizar a cultivar entre os cidadãos, eram realizadas campanhas e palestras para explicar o surgimento do grão e fazer com que ela chegasse ao maior número de residências.
No ano de 1976, o feijão carioca era o mais cultivado e comercializado no estado de São Paulo e representa, na atualidade, 85% do mercado nacional, conforme aponta o artigo.
5. Benefícios da produção
Inicialmente, o feijão carioca (foto 3) não foi bem recebido pela população. Hoje, é líder no consumo por conta da facilidade de seu cozimento
Margot Lambert
Além da alta produtividade e resistência, Gerson Cazentini Filho também lista as principais características que tornaram o carioquinha um alimento imprescindível para a rotina alimentar dos brasileiros.
"[O feijão carioca] é fonte de proteína barata, muito produtivo e adaptado às principais regiões produtoras do estado. [Ele] combina saborosamente com vários pratos, principalmente o arroz. Ele foi rapidamente difundido e aceito pelos produtores e consumidores como opção preferida na alimentação paulista", destaca.
6. Plantação e importância do feijão para o interior
Dia do Feilão foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2019
Cati/Divulgação
Pelo seu cultivo ser realizado na mesma área diversas vezes, o feijão necessita de uma cultura exigente em fertilidade de solo, como diz o profissional. Por isso, a sua plantação requer uma rotação anual de cultura.
"Hoje, o plantio é realizado em grandes áreas com irrigação do tipo pivô central, com teto produtivo bem alto e colheita mecanizada, atingindo alta produtividade e abundância de oferta conforme época favorável de cultivo e suprimindo o preço do grão", explica o coordenador da Cati.
Embora o estado de São Paulo tenha sido o grande disseminador da cultivar, a plantação do feijão carioca ocorre em diversas áreas do país, com o foco de exportar o grão.
"Atualmente, porém, a grande maioria das sementeiras do Brasil tem disponibilidade, viabilizando a exportação para outros países, devido à oferta de proteína de excelente qualidade e baixo custo, garantindo a segurança nutricional e alimentar de populações subnutridas", salienta o profissional.
Confira abaixo uma receita feita com o feijão carioquinha exibida no programa Nosso Campo:
Nosso Campo mostra receita de feijão gordo e saboroso
*Colaborou sob supervisão de Mariana Bonora
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