Copia e Cola: esquema de corrupção na área da saúde era dividido em três núcleos e Rodrigo Manga era 'peça-chave', diz MPF

  • 06/02/2026
(Foto: Reprodução)
Copia e Cola: esquema de corrupção na área da saúde era dividido em três núcleos O esquema de corrupção na área da saúde da Prefeitura de Sorocaba (SP) era dividido em três núcleos e o prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos) era peça-chave, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF). Os crimes foram apurados pela Polícia Federal na operação Copia e Cola, que investiga desvio de verbas em contratos para a administração de duas unidades de saúde do município. Na denúncia do MPF, a qual o g1 e a TV TEM tiveram acesso, o esquema era dividido entre os núcleos Político e Administrativo, Empresarial e Financeiro. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Ao todo, 13 pessoas foram denunciadas. Entre elas está o prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido como prefeito tiktoker, a esposa dele, Sirlange Frate Maganhato, e a mãe dele, Zoraide Batista Maganhato. A defesa do prefeito afastado disse que não irá comentar sobre o caso. Diminuição de postagens e queda nas curtidas: os três meses do 'prefeito tiktoker' afastado da Prefeitura de Sorocaba Os investigados foram denunciados por organização criminosa, peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e frustração de competição em licitação. Rodrigo Manga e primeira dama passam a ser investigados em compra superfaturada de prédio da Educação em Sorocaba Reprodução/Sirlange Maganhato/Instagram Veja, abaixo, como funcionavam esses núcleos, o papel de cada um e quais crimes eles são investigados: Núcleo Político e Administrativo (agentes públicos) De acordo com com investigação, este grupo utilizou seus cargos para direcionar contratações e facilitar fraudes em troca de vantagens indevidas. Neles aparecem: Rodrigo Manga (prefeito afastado de Sorocaba): Participação: Apontado como a "peça-chave" e líder do núcleo político. É acusado de receber propina, ou seja, vantagem indevida, para garantir que a Organização Social Aceni assumisse a gestão das unidades de saúde. Teve despesas pessoais e familiares pagas por intermediários e utilizou parentes e terceiros para ocultar patrimônio (lavagem de dinheiro), como na compra de imóveis. Crimes: organização criminosa, contratação direta ilegal (UPA Éden), frustração do caráter competitivo de licitação (UPH Zona Oeste), peculato-desvio (33 vezes), corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Fausto Bossolo (ex-secretário de Administração): Participação: atuou como braço direito do prefeito, coordenando o direcionamento das contratações para a Aceni e negociando o recebimento de propinas. Fazia a ponte entre o grupo político e o empresarial. Crimes: organização criminosa, contratação direta ilegal, frustração do caráter competitivo de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva. Vinícius Tadeu Sattin Rodrigues (ex-secretário de Saúde): Participação: Responsável por instrumentalizar as fraudes, assinando projetos básicos e contratos direcionados, além de encobrir a falta de prestação de serviços reais, dando aparência de legalidade aos atos. Crimes: organização criminosa, contratação direta ilegal, frustração do caráter competitivo de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva. Núcleo Empresarial (Aceni/Iase e AP Engenharia) Responsáveis por corromper os agentes públicos, vencer as licitações fraudadas e operacionalizar o desvio de recursos. Participaram deste núcleo: Paulo Korek: Verdadeiro controlador da Aceni e sócio da AP Engenharia. Idealizou o esquema e negociou diretamente com o núcleo político. Anderson Santana: Sócio de Paulo e seu "braço direito" nas negociações e pagamentos. Sérgio Peralta: Presidente formal da Aceni. Assinava os contratos e realizava os pagamentos de propina. O trio, segundo a investigação, desviou recursos públicos simulando a contratação da empresa AP Engenharia Clínica Ltda. (pertencente a Paulo e Anderson) para prestar serviços fictícios, cujos relatórios eram cópias da internet. Crimes comuns aos três: organização criminosa, contratação direta ilegal, frustração do caráter competitivo de licitação, peculato-desvio por serviços não prestados e corrupção ativa. Núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro Responsável por ocultar, dissimular e integrar os valores ilícitos ao patrimônio dos envolvidos. Sirlange Rodrigues Frate Maganhato (Primeira-dama): Participação: recebeu recursos ilícitos através de sua empresa (2M Comunicação), que firmou contratos simulados de publicidade com outros investigados (Marco Mott e a Igreja de seu cunhado) para justificar o recebimento de propina. Também participou da ocultação na compra de imóveis. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro. Marco Silva Mott (empresário): Participação: principal operador financeiro. Recebeu milhões em depósitos fracionados em espécie e armazenava grandes quantias em "dinheiro vivo". Simulou contrato com a empresa da primeira-dama para repassar valores ilícitos e lavou dinheiro na compra de imóveis subfaturados. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro. Josivaldo Batista de Souza e Simone Rodrigues Frate de Souza (cunhados do prefeito): Participação: Josivaldo (pastor) mantinha uma "contabilidade paralela" da propina e armazenava dinheiro em espécie. O casal usou a entidade religiosa "Cruzada dos Milagres" para firmar contratos simulados com a empresa de Sirlange e pagava despesas pessoais da família do prefeito (como faculdade e haras) para integrar o dinheiro ilícito. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outros envolvidos em lavagem de dinheiro pontual e que teriam especificamente participado em atos de ocultação de patrimônio: Rafael Pinheiro do Carmo e Cláudia Cenci Guimarães: Participação: Atuaram como "laranjas" em uma falsa cessão de direitos para ocultar que o prefeito e a primeira-dama eram os reais compradores de um imóvel de alto padrão, pago parcialmente em dinheiro vivo. Crime: lavagem de dinheiro. Participação: serviu de interposta pessoa para adquirir um imóvel em Votorantim e doá-lo no mesmo dia ao filho e à nora, ocultando a origem dos recursos. Crime: lavagem de dinheiro Zoraide Batista Maganhato (mãe de Rodrigo Manga): Participação: Serviu de interposta pessoa para adquirir um imóvel em Votorantim e doá-lo no mesmo dia ao filho e à nora, ocultando a origem dos recursos. Crime: Lavagem de dinheiro. O que diz a denúncia Na denúncia, o MPF pede a decretação da perda do cargo do prefeito afastado e que ele seja impedido de se candidatar e ocupar cargos públicos por cinco anos. Além disso, o órgão aponta que Manga era "peça-chave" nos crimes, e que ele aceitou a promessa ou recebeu propina. A denúncia diz ainda que Rodrigo Manga determinou ao então secretário de Saúde o contato com representantes da Aceni. Ainda conforme o documento do MPF, com base na investigação da Polícia Federal, Rodrigo Manga teve suas contas pessoais pagas por intermediários e também usou outra pessoa e dinheiro em espécie para comprar uma casa e lavar dinheiro. SAIBA + SOBRE O CASO: OS alvo de operação é citada em investigação de 2022 apoiando campanha do prefeito PF diz que Rodrigo Manga negociou com entidade investigada por propina antes de ser eleito Representante de OS cobrou ‘parceria’ de secretário municipal antes de contrato com prefeitura Prefeito de Sorocaba usou ‘dinheiro vivo’ para comprar imóvel de luxo Resumo sobre os denunciados: Josivaldo Batista de Souza: é cunhado de Rodrigo Manga e bispo de uma igreja evangélica. Foi preso em uma fase anterior da operação e está usando tornozeleira eletrônica. Simone Frate de Souza: é cunhada de Rodrigo Manga e irmã de Sirlange Maganhato. Ela não foi presa, mas está usando tornozeleira eletrônica. Marco Silva Mott: é empresário e apontado como o operador financeiro do esquema. Ele foi preso em uma fase anterior da operação e está usando tornozeleira eletrônica. Rafael Pinheiro do Carmo: é amigo de Rodrigo Manga. Comprou uma casa e, só depois do negócio estar concluído, informou que era para o prefeito afastado. Cláudia Cenci Guimarães: é esposa de Rafael e também participou da compra da casa. Fausto Bossolo: é ex-secretário de Administração do prefeito afastado. Vinícius Rodrigues: é ex-secretário de Saúde do prefeito afastado. Paulo Korek: é dono da Aceni, mas não aparece como proprietário da empresa na documentação. Anderson Luiz Santana: é integrante da Aceni. Sérgio Peralta: é o dono da Aceni, de acordo com os documentos. Zoraide Batista Maganhato: mãe de Rodrigo Manga. O que dizem os citados Rodrigo Manga e a esposa, Sirlange Maganhato Sirlange Frate/Instagram/Reprodução A defesa de Rodrigo Manga e Sirlange Maganhato disse que não irá comentar o caso. Já os advogados de Paulo Korek informaram que respeitam o trabalho da PF e que demonstrarão a inocência dele. A de defesa do ex-secretário Vinicius Rodrigues disse que "causa profunda estranheza o pedido de seu indiciamento sem que sequer tenha ido depor à polícia". "Tal cerceamento de defesa impediu o esclarecimento precoce de fatos básicos, como o de que não houve qualquer participação sua no processo de contratação da OS Aceni, nem tampouco na fiscalização do contrato", alega. Destacou ainda que "a investigação falha ao não descrever a realidade temporal dos fatos, misturando mais de um processo de contratação, inclusive com outras entidades, ignorando dados públicos registrados no Jornal do Município que desconstroem as teses apresentadas". "O Dr. Vinicius reitera que, se havia uma organização criminosa em 2021 na Prefeitura de Sorocaba, ela certamente não estava na Secretaria da Saúde." Cláudia Cenci Guimarães e Rafael Pinheiro não se manifestaram até a publicação da reportagem, assim como a defesa de Josivaldo Batista e Simone Frate de Souza. A TV TEM e o g1 tenta contato com a defesa dos outros denunciados, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Por que na esfera federal? O advogado criminalista Murilo Raszl Cortez explica o porquê de o processo estar vinculado à Justiça Federal e em São Paulo, ao contrário de outras ações, como o kit de robótica, que tramita na Justiça estadual, e na comarca de Sorocaba. “O fato de esse caso estar na Justiça Federal e não na Justiça estadual se deve pela natureza que esses crimes são investigados, que remontam ao desvio de verba que tem origem na União, destinadas à saúde, e por conta, então, de haver um interesse da União Federal ao conhecimento e julgamento da causa pela Justiça Federal, somado à prerrogativa de foro, então, TRF-3”, diz. Ainda conforme o especialista, após intimados, os denunciados podem apresentar defesa preliminar e, a partir daí, o desembargador do caso analisa se recebe ou não a denúncia. Caso recebe, os denunciados passam a ser réus da ação. Advogado criminalista Murilo Raszl Cortez Reprodução/TV TEM Relembre a operação A investigação começou em maio de 2022 para apurar a contratação indevida da Aceni pela Prefeitura de Sorocaba (SP). O trabalho, conforme a polícia, relevou indícios de uma trama criminosa usada para dilapidar os cofres públicos, a partir do contrato emergencial da UPA do Éden e, depois, da então UPH da Zona Oeste (atual UPA da Zona Oeste). Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM .

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/02/06/nucleos-copia-e-cola.ghtml


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