Chuva insuficiente e fora dos reservatórios agrava situação no Sistema Alto Tietê

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
Represa do Rio Jundiaí, em Mogi das Cruzes, tem níveis baixos g1 / Cauê Adamuz Janeiro não deve atingir a média de chuvas esperada nos reservatórios do Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT). Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), até o dia 30 de janeiro, o sistema registrou apenas 90,7% da precipitação necessária para manter os reservatórios. A previsão de chuva para o SPAT em janeiro, considerado o mês mais chuvoso do ano, era de 232,1 mm. No entanto, o mês chega ao fim sem alcançar o índice esperado. Até esta sexta-feira (30), o total de chuva registrado no sistema é de 210,5 mm. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp O período entre dezembro e janeiro costuma registrar as maiores médias de precipitação na região do Alto Tietê. De acordo com o mestre em ciências ambientais, Abner Ulisses Bueno da Silva, isso ocorre porque a região está inserida em um clima tropical de altitude. “O tropical de altitude é bem característico: ele vai ter um verão mais chuvoso e um inverno seco [...] Mas já nos meses de dezembro e janeiro, que deveriam ser os meses mais chuvosos, o volume de chuva está mais baixo.” O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou que o SPAT apresenta sinais claros de crise hídrica e que não é possível garantir uma recuperação satisfatória do sistema durante o período chuvoso. Alto Tietê apresenta sinais claros de crisa hídrica, aponta Cemaden Apesar das pancadas de chuva e temporais registrados nas cidades da região nas últimas semanas, o volume não é suficiente para encher o sistema. O volume de chuvas não foi o suficiente para manter os reservatórios por oito meses seguidos. "Na maioria das vezes, não basta chover na cidade, tem que chover onde tem que chover, que é em cima desses reservatórios que nós temos aqui na região do Tietê", afirma Abner. Entre quarta (28) e quinta-feira (29), o acumulado de chuva foi de 410 milímetros entre Mogi das Cruzes e Suzano. As duas cidades sofreram enchentes e estragos de grandes proporções. Entretanto, no SPAT, houve um registro de apenas 27,4 mm de chuva. Confira os impactos das chuvas em Suzano O especialista explica que a concentração das chuvas no perímetro urbano não ocorre por acaso. A forma como as cidades são construídas gera áreas de calor que impedem a chuva de chegar às represas. "A cidade em si cria uma ilha de calor, um bolsão de ar [...] e quando ela [a chuva] chega nas áreas centrais, fica ali acumulada porque ela não consegue circular. [...] Dessa maneira, ela não vai ter força para levar essa chuva para as áreas de represa”, aponta. Segundo Abner, é possível prever onde a chuva vai cair, e ela tende a ser mais intensa nas áreas urbanas. “Então a gente precisa trabalhar com cidade”, conclui o especialista. Existe solução? Marco do DER, na represa Rio Jundiaí, em 2015 e em 2026 Initial plugin text Segundo a arquiteta e urbanista, professora da pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Klimapolis, Ana Paula Koury, uma solução para lidar com a falta de água nos reservatórios de abastecimento e com as enchentes nas cidades seria o sistema sustentável de drenagem. Este tipo de sistema pode mudar a forma como as cidades veem a água. “A gente foi educado a perceber a água como um recurso natural renovável, sempre disponível. A gente se acostumou com a ideia de que o Brasil é rico em recursos hídricos, e isso é verdade, mas isso não significa que a gente pode ter uma relação perdurável com a água. E isso vale tanto pra economia doméstica como pras cidades”. O sistema sustentável de drenagem se baseia no armazenamento da água e distribuição para as redes de abastecimento. Ou seja, quando chove, a água pode ser armazenada em cavidades subterrâneas ou em áreas alagáveis. Desta forma, a água infiltrada pelo solo permite a recarga dos aquíferos, que poderão ser reaproveitados pela população, assim como a água armazenada em espaços alagáveis. Isso auxilia o sistema de abastecimento e faz com que não haja dependência apenas dos sistemas de represas. Infográfico: Implementação de sistemas de drenagem sustentável g1 O g1 questionou todas as cidades do Alto Tietê sobre o uso de sistemas sustentáveis de drenagem e o reaproveitamento da água para o abastecimento. As cidades que responderam disseram que não possuem uma rede interligada de drenagem com o abastecimento. No entanto, elas possuem algumas ações que visam a sustentabilidade na drenagem (leia mais abaixo). Já a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que utiliza água de aquíferos para o abastecimento das cidades do Alto Tietê. Essa água é captada por meio de 55 poços, instalados em 21 municípios da região. Mas não usa água de piscinões nem de reservatórios de armazenamento de água da chuva para o abastecimento público ou para reforçar represas de sistema produtor. Mogi das Cruzes é o único município da região que possui piscinões. Entretanto, a água excedente armazenada nesses espaços não passa por tratamento de despoluição e nem integra a rede de abastecimento. Ela segue para o córrego. “O problema dos piscinões é que a água não é reutilizada e ligada a um sistema”, pontuou a arquiteta e urbanista. Para colocar em prática o sistema de drenagem sustentável, é preciso pensar para onde a água da chuva vai ser armazenada, como será conduzida e como vai ser retida para ser utilizada no reabastecimento. Alguns exemplos de formas de drenagem são a retenção do excesso de água da chuva em caneletas, em praças alagáveis, pontos de infiltração da água nas casas, valetas que funcionam ao longo das vias diminuindo a velocidade da água, permitindo um escoamento superficial, para assim criar um sistema de distribuição, dentro de uma bacia hidrográfica. “Quando a chuva é abundante, a água tende a correr muito rápido pro mesmo lugar, causando inundações e alagamentos. [Esse] sistema distribuído permite economizar dinheiro em obras gigantescas de alagamentos e contribuir em ilhas mais frescas, por arborização, que podem ser capazes de ter um efeito de diminuição do calor extremo”, contou a professora. Ana Paula explicou que os modelos atuais de urbanizações estão enraizados nos pensamentos que dominaram o século XIX, de que a técnica era superior à natureza. Como naquela época não existiam mudanças climáticas, a percepção era de que a água devia ser descartada o mais rápido possível para o córrego, para o rio ou para o mar. “É entender que a água da cidade tem que ser reaproveitada, todo o sistema de drenagem tem que estar ligado a um sistema de saneamento e despoluição de forma a diminuir a perda de água. Há uma perda muito grande de água poluída. Antes de a água ser absorvida pela cavidade, é necessário que ela passe por uma despoluição. Uma forma de despoluir é a criação de lagoas com compartimentos diferentes que diluam os componentes poluidores ou que possuam plantas que filtrem esses componentes, fazendo a biogestão deles. Veja como as cidades do Alto Tietê lidam com o sistema sustentável de drenagem Biritiba Mirtim A prefeitura de Biritiba-Mirim informou que a cidade não possui um sistema sustentável de drenagem e nem piscinões. Limpezas de rios e córregos são realizadas para evitar enchentes causadas pelas chuvas. Guararema A Prefeitura de Guararema informou que não possui um sistema de drenagem sustentável integrado à rede pública. Mas o município incentiva e, em alguns casos, exige a adoção de soluções de retenção e infiltração de águas das chuvas em imóveis particulares. Não há uma conexão direta dessas estruturas privadas com reservatórios destinados ao abastecimento público. O município não possui piscinões e realiza a limpeza de bocas de lobo e galerias para evitar alagamentos causados pela chuva. Itaquaquecetuba A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que a cidade não possui um sistema sustentável de drenagem integrado a reservatórios para reutilização da água no abastecimento público. Como alternativa para evitar alagamentos, atua por meio de outras estratégias de controle de cheias, como a manutenção da infraestrutura, a recuperação de cursos d’água e a permeabilidade do solo. Mogi das Cruzes A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que a ilha Marabá e os parques Centenário e Leon Feffer foram construídos às margens do Rio Tietê, como áreas permeáveis que funcionam como bolsões de absorção natural de água. No entanto, essa água absorvida pelo solo ou encaminhada para o rio não possui ligação com a rede de distribuição de água. O município possui o piscinão do Parque Santana, que recebe o excesso de água do ribeirão Ipiranga. Após a diminuição do nível do ribeirão, a água armazenada no piscinão é bombeada para o curso d'água e segue seu caminho natural. Santa Isabel A Prefeitura de Santa Isabel informou que a cidade possui a lei 175/2015, que incentiva a implantação de sistema de aproveitamento de águas pluviais e a implantação do sistema de reúso nos imóveis do município. O município não possui piscinões e realiza a canalização do ribeirão Araraquara para evitar alagamentos. Suzano A Prefeitura de Suzano informou que a cidade não possui um sistema sustentável de drenagem e nem piscinão. O município realiza a limpeza de bueiros, galerias, valas de drenagem, rios e córregos para evitar alagamentos. Assista a mais notícias sobre o Alto Tietê

FONTE: https://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2026/01/30/chuva-insuficiente-e-fora-dos-reservatorios-agrava-situacao-no-sistema-alto-tiete.ghtml


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