Casos com menores infratores sobem 22% na região; avanço entre meninas chega a 44%

  • 10/02/2026
(Foto: Reprodução)
Casos de menores infratores crescem 22% nas regiões de Campinas e Piracicaba O número de menores de idade envolvidos em atos infracionais nas regiões de Campinas (SP) e Piracicaba (SP) teve uma alta de 22,4%. Foram 1.794 casos em 2025, contra 1.465 no ano anterior. Segundo a socióloga Camila Massaro, pesquisadora do Observatório da PUC-Campinas, o aliciamento ao tráfico de drogas, a influência das redes sociais, a "sociedade pautada pelo consumo", a falta de políticas públicas e a vulnerabilidade socioeconômica são fatores que podem contribui para o envolvimento desses jovens em atos infracionais. 🔍 Ato infracional é o nome dado a qualquer contravenção ou crime cometido por uma pessoa menor de 18 anos, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Normalmente, gera a aplicação de medidas socioeducativas ou de proteção, com caráter pedagógico e ressocializador. Os dados mostram que os meninos ainda correspondem o maior número de menores infratores (81,6%) na região, mas o crescimento percentual no período entre 2024 e 2025 foi maior entre as meninas, com uma alta de 44,7%. O levantamento considera os casos registrados pelo Deinter-2 e do Deinter-9, departamentos da Polícia Civil destas regiões. Confira os dados completos abaixo: O número absoluto de casos envolvendo menores infratores passou de 1.465 para 1.794, entre 2024 e 2025; As meninas tiveram a maior alta percentual, passando de 96 em 2024, para 139 em 2025; Os meninos continuam sendo maioria entre os menores infratores, e também apresentaram um crescimento entre 2025, passando de 1.369 em 2024 para 1.654 — uma alta de 20,82%. Em um dos casos de 2025, o gênero do menor infrator não foi identificado; De acordo com Camila Massaro, um adolescente que ingressa no "mundo do crime" tem uma expectativa de vida de menos de 30 anos. "Eles ainda não têm a completa dimensão das consequências dos seus atos. Então, a promessa do ganho fácil, a promessa do próprio status que determinados postos dentro dessa cadeia do tráfico, traz um vislumbre, uma ideia de poder, uma ideia de reconhecimento que seduz muito fácil. A vida do crime é muito sedutora nesse sentido", explica. Aliciamento ao tráfico de drogas Paulo Bueno, capitão da Polícia Militar, aponta que o crime organizado costuma aliciar menores de idade para "se escudar", procurando crianças e adolescentes em vulnerabilidade social e desassistidos pela família. Segundo Bueno, esses jovens costumam ser destinados para infrações relacionadas ao tráfico de drogas. "O crime organizado vai observar o adolescente ou a criança como alvo das suas ações para que ele possa se escudar nessa barreira. Então, quando a gente fala dessa questão de perfil social, muitas vezes a criança e o adolescente que não tem uma supervisão tão atenta tão assistida dos pais, da família, ou mesmo do ambiente social em que ela se vê envolvida, acaba sendo optado para alguns tipos de crime, principalmente para o tráfico de drogas", explica o profissional. Camila Massaro aponta que o tráfico de drogas é uma das principais contravenções quando se trata de adolescentes, que são habitualmente aliciados para trabalharem em "cargos" mais baixos desse tipo de trabalho. "A questão do tráfico é um dos maiores problemas que a gente tem no nosso país e que vem recrutado adolescentes, ainda menores de 18 anos, para fazerem parte das escalas mais baixas desse tipo de trabalho", diz. A socióloga destaca que as meninas acabam também sendo aliciadas de várias formas, principalmente por esse mundo do tráfico, semelhante ao que ocorre em grande parcela das mulheres no sistema prisional atualmente. Redes sociais, 'status' e sociedade do consumo A pesquisadora da PUC-Campinas também aponta que tráfico exerce um forte "poder de sedução" ao oferecer a promessa de dinheiro rápido. Além do fator financeiro, existe a busca por "status", "poder" e "reconhecimento" dentro do grupo, elementos fundamentais para jovens em fase de formação de identidade. "Tem uma gama de fatores que são sociais, econômicos, culturais e também pessoais que acabam levando esses adolescentes a cometerem esses tipos de atos infracionais, muito vinculados àquilo que a sociedade vai deixando de se preocupar em ofertar para eles", diz Camila, que emenda: "A gente está pensando em ausência ou falhas em políticas públicas de diversos setores [...] não pode também esquecer que a gente vive numa sociedade pautada pelo consumo e pelo desperdício de mercadorias, em que o ter vale muito mais do que o ser." Ainda de acordo com Camila, a exposição nas redes sociais também exerce um papel determinante para tornar o crime atrativo aos adolescentes. A socióloga enfatiza que nichos específicos nas redes sociais funcionam como "bolhas" que glamorizam a vida no crime, compartilhando apenas as "glórias" e o status. "As redes sociais e locais que não são tão de fácil acesso, ou que nem todas as pessoas conhecem, que acabam sendo canais específicos para pessoas que compartilham as glórias de participar desse tipo de atividade, mas dificilmente compartilham as dores. Isso corrobora para essa ideia de parecer ser um mundo atrativo em termos de uma remuneração rápida e bem maior do que aquela que o mundo do trabalho oferece, e também desse status dependendo do grupo ao qual esse adolescente pertence", explica. Casos de menores infratores crescem 22% na região; meninas têm alta percentual de 44%, mas meninos seguem sendo maioria Reprodução/EPTV Ressocialização Em entrevista à EPTV, emissora afiliada da TV Globo, um jovem que preferiu não se identificar defendeu ser possível transformar o futuro. Aos 14 anos, ele já havia ingressado no mundo do crime. O adolescente chegou a ser internado na Fundação Casa e tudo ficou ainda pior quando se envolveu com drogas. "Depois que eu saí da Fundação Casa com 15 anos, o gerente da 'biqueira' que eu trabalhava não estava mais lá. Daí eu virei gerente, e nisso que eu virei gerente, eu comecei a lidar com drogas. E acabei querendo experimentar o crack, e isso foi devastador na minha vida", relata. O jovem retornou à Fundação Casa aos 16 anos, quando conheceu o Instituto Padre Haroldo, em Campinas, local onde ele realizou o tratamento contra as drogas e a ressocialização. "Já com 16 anos dentro da Fundação Casa e eu fiquei sabendo do Instituto Padre Haroldo através de outro rapaz que falou para mim. E aqui minha vida mudou totalmente e depois que saí daqui eu fui trabalhar. Graças a Deus eu consegui sobreviver a essa vida, diz. Políticas públicas Camila Massaro afirma que é preciso que o poder público fortaleça políticas públicas voltadas para os adolescentes para desestimular o ingresso na criminalidade na educação, na entrada do mercado de trabalho e acesso à cultura. "A própria educação escolar, que a gente vê que no caso dos adolescentes nas escolas públicas, tem uma evasão muito grande, porque cada vez menos a escola se conecta com uma formação que proporcione outro tipo de saída". A socióloga reforça a improtância do acesso ao lazer, à cidade "para que o jovem possa usufruir desses espaços, e se sinta valorizado em termos de programas, de auxílio, programas de incentivo", complementa. O policial Paulo Bueno também afirma que a questão da relevância da atuação da criança e do adolescente na sociedade também deve que ser observada. "A gente tem alguns trabalhos, temos o Programa de Prevenção dos Drogas (Proerd), que a gente atua em escolas, mas principalmente com relação à questão da vulnerabilidade dessas escolas. Todos os serviços sociais, mesmo aqueles não feitos pelo Estado, mas também por organizações não governamentais que envolvem o abraço ao adolescente, à criança, trazendo ele com foco para o seu desenvolvimento e assistindo ele, evita que um crime organizado copite para ações e infrações como essas", finaliza. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/10/casos-com-menores-infratores-sobem-22percent-na-regiao-avanco-entre-meninas-chega-a-44percent.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Para Falar conosco ou Anunciar 19 994319628

Anunciantes